Programa de Trabalho da Chapa para a gestão 2010-2012
Composição da Chapa:
Paulo Nakatani (UFES) - Presidente
Niemeyer de Almeida Filho (UFU) - Vice-presidente
Eleutério Fernando da Silva Prado (USP)
Fernando Cézar Macedo Mota (UNICAMP)
Fernando Ferrari Filho (UFRGS)
João Ildebrando Bochi (PUC-SP)
João Leonardo de Medeiros (UFF)
João Policarpo Rodrigues Lima (UFPE)
Sílvio Antonio Ferraz Cário (UFSC)
A crise financeira, forma especial da crise econômica, que se manifestou no centro do
sistema – primeiro, no Japão, depois nos Estados Unidos e, agora, na Europa – está
desnudando o capitalismo contemporâneo como um sistema que não apresenta um
futuro promissor para as sociedades existentes. A gravidade da crise se expressa no fato
de que, não só a grande imprensa, como também os dirigentes das Nações Unidas, as
organizações multilaterais, e até mesmo o FMI, estão defendendo cada vez mais a
necessidade de pesadas intervenções estatais para amenizar os seus impactos. Neste
sentido, apoiam fortemente as operações dos Bancos Centrais que visam salvar os
bancos e as instituições financeiras da bancarrota, mesmo se isto compromete os
orçamentos estatais. Eles contrariam desse modo, também, a tese do “risco moral” que
antes defenderam, com todo o empenho. Assim, dão suporte à continuidade do sistema
tal como hoje ele se encontra organizado. Entretanto, da esfera financeira, os estragos da
crise estão se estendendo para outras esferas da economia, prenunciando um futuro
próximo problemático para todos os trabalhadores do planeta. Estes estão sendo
chamados para pagar a conta...
Durante o período de plena dominação do projeto neoliberal, ou do pensamento único,
poucas vozes se atreveram a colocar-se contra esse projeto e suas políticas. A Sociedade
Brasileira de Economia Política - SEP foi uma delas, e o seu papel na crítica ao
pensamento único consolidou-se por meio de seus congressos, da participação e
contribuição em eventos de outras instituições, tanto nacionais quanto internacionais, da
publicação da revista e do seu site. A SEP é, hoje, amplamente reconhecida como a
sociedade que agrega e dá espaço ao pensamento crítico. Mesmo assim, consideramos
que ela deva avançar ainda mais, tendo como um poderoso suporte a “Crítica à
Economia Política”. Somente essa referência pode fornecer à SEP, como entidade
progressista e anti-neoliberal, a teoria e os instrumentos que propiciem propostas em
prol, não só das camadas mais desvalidas da população, mas de um novo projeto
societário no qual as relações de produção e distribuição sejam regidas por normas além
do mercado.
Nesse sentido, propomos em nosso programa de trabalho a ampliação de nossas
atividades por meio do apoio e estímulo à organização de Encontros Regionais, a
organização de atividades nas Reuniões anuais da SBPC e a continuação de nossa
participação no Fórum Social Mundial, com Painéis, mesas redondas, palestras e
minicursos. Some-se a isso a proposta de ampliar nossas atividades e participações em
eventos de instituições similares à nossa como a ANPEC, ANPUR e ANPOCS, assim
como manter ou estreitar os laços com a ANGE, a SEPLA, a URPE e outras associações
ou sociedades. Apoiamos e pretendemos desenvolver atividades através do convênio
proposto pela Fundación Madres de Plaza de Mayo.
Ademais, como estímulo à produção em Economia Política, propomos ainda a criação
de um novo espaço nos Encontros da SEP para estudantes de graduação, com a
apresentação de trabalhos em Painéis; a oferta de cursos de extensão e minicursos em
Economia Política, abertos ao público em geral, em colaboração com nossos filiados
nos diversos cursos ou departamentos de economia. Além disso, propomos criar ou
estimular a organização de redes de pesquisa e ensino em Economia Política ou sobre
temas específicos, ou a nossa integração às redes já existentes, como o Observatório
Internacional da Dívida ou o da Crise. Quanto ao ensino, organizar um debate contínuo
para apoiar e contribuir, através da troca de experiências, com programas, materiais
didáticos e reciclagem de professores.
Finalmente, propomo-nos a rever o cadastro de sócios, a fazer campanha de filiação e de
divulgação da SEP junto a estudantes, professores e pesquisadores com interesse na área
de Economia Política.